Área de identificação
Código de referência
Título
Data(s)
- 1951 - 1972 (Produção)
Nível de descrição
Dimensão e suporte
Documentos textuais: 414 caixas e 455 volumes (66,36 metros lineares);
Documentos cartográficos: 2.241 plantas.
Área do contexto
Nome do produtor
História administrativa
Ao se aproximar os 400 anos da cidade de São Paulo, em 1948, por ordem do prefeito da cidade, Paulo Lauro, foi nomeada uma Comissão composta por personalidades que seriam responsáveis pela celebração deste evento, como aponta a Portaria nº 20, de 29 de julho daquele ano.
Anos mais tarde, em 1951 institui-se a Comissão Municipal dos Festejos Comemorativos do IV Centenário da Fundação da Cidade de São Paulo pela Lei nº 4052, de 30 de maio de 1951, regulamentada pelo Decreto nº 1379, de 20 de julho de 1951. A Comissão teve como atribuições a elaboração do plano geral das comemorações do IV Centenário, promoção de estudos históricos relativos à Fundação da cidade de São Paulo, estudo de um plano de intensa propaganda das comemorações projetadas, entre outras ações.
A Comissão funcionou por pouco tempo até a criação da Lei nº 4.166, de 29 de dezembro de 1951 que criava uma entidade autárquica denominada “Comissão do IV Centenário da Cidade de São Paulo”.
A Comissão da autarquia foi presidida por Francisco Matarazzo Sobrinho, mais conhecido por Ciccillo, entre os anos de 1951 e 1954. Ciccillo era uma liderança tanto no ramo industrial quanto no meio das artes – foi ele o fundador da Bienal e do Museu de Arte Moderna (Marins, 2003, p. 30). Em 1954 a presidência passa ao poeta Guilherme de Almeida.
Entre as ações da Comissão nas duas gestões estão as manifestações arquitetônicas por meio da monumentalização de espaços da cidade que se deram por meio do Parque do Ibirapuera, do Monumento às Bandeiras, e do Monumento ao Soldado Constitucionalista. Além das reformas do Theatro Municipal e do Teatro Colombo, a reurbanização do Vale do Anhangabaú e a finalização da Catedral da Sé.
Como um dos marcos iniciais das comemorações do Quarto Centenário da Cidade, em 1954, o Pateo do Colégio foi devolvido para a Companhia de Jesus.
Além das construções arquitetônicas outras atividades foram realizadas. A programação teve início no dia 23 de janeiro de 1954, prosseguindo até meados de 1955. Contudo, a data de fundação de São Paulo, 25 de janeiro, foi o dia mais comemorado.
Entre as celebrações do dia, estavam as inaugurações da Catedral da Sé e do Parque Ibirapuera. As atividades desenvolvidas para os festejos foram realizadas em diversas regiões da cidade, são elas: o lançamento da pedra fundamental da futura Cidade Universitária, no Butantã (Universidade de São Paulo - USP), as manifestações artísticas de musicais, de ballet, de teatro, de cinema; a reforma do Museu Paulista, os concursos de poesias e os de artes plásticas.
A agenda das celebrações contou com a Bienal de São Paulo, do Ballet IV Centenário e do Congresso Internacional de Folclore.
Os efeitos performáticos do passado nas cerimônias do IV Centenário, que ganham grande diversidade de forma - museus, feiras, teatros, musicais, encontros, congressos, hinos, inaugurações em série, etc. -, bem como o esforço em criar instrumentos eficientes para produzir a memória de uma vitória de São Paulo - através de concursos, hinos, inaugurações em série, etc. - bem como o esforço em criar instrumentos eficientes para produzir a memória de uma vitória de São Paulo - através de concursos escolares, propaganda em jornais, rádio, e cinema - sobre seus rivais regionais, como modelo nacional (Lofego, 2000, p.306).
Entre a principal proposta da Comissão destaque para a construção do Parque do Ibirapuera concebida para receber as exposições comemorativas do IV Centenário de São Paulo. A concepção urbanística do Parque Ibirapuera com o projeto dos pavilhões foi elaborada por um grupo de arquitetos chefiados por Oscar Niemeyer. O projeto paisagístico inicial para o Ibirapuera foi desenvolvido por Burle Marx, mas o projeto não foi implementado por falta de tempo, verba e entendimento entre as partes.
Especificamente sobre a arquitetura dos edifícios de concreto que iriam compor o Parque Ibirapuera então denominados “Palácios” e que viriam a ser chamado de “Pavilhões” ressaltamos a utilização dos palácios/pavilhões construídos e sua utilização ao longo do tempo devido ao volume documental identificado no acervo do AHM.
O conjunto de Niemeyer era composto de seis edifícios, cinco deles conectados pela grande marquise. O mais marcantes deles é um edifício semienterrado com cúpula parabólica, hoje popularmente chamado de Oca, que foi pensando inicialmente para abrigar um planetário e depois designado como Palácio das Exposições - ali chamado pelos arquitetos de Palácio das Artes (...); além dele, mais quatro pavilhões prismáticos foram concluídos: o Palácio das Indústrias, que no anteprojeto de 1952 dos arquitetos liderados por Niemeyer foi identificado como “futuro Museu Industrial”, acabou por ser convertido na sede do Museu de Arte Moderna de São Paulo, que a partir de 1957 ali realizou sua Bienal. Constituída a Fundação Bienal, em 1962, ela passou a ser responsável pela mostra bienal, antes organizada pelo Museu, e ficou sediada ali, dividindo, a partir de 1963, o terceiro pavimento com o Museu de Arte Contemporânea da USP; o Palácio das Nações, que acolheu a sede da Prefeitura entre 1956 e 1992, e desde 2004 abriga o Museu Afro Brasil; o Palácio dos Estados, antiga sede de secretarias e do órgão de processamento de dados do município, a Prodam, entre 1973 e 2006, que permanece até hoje sem uso definido, após uma tentativa de se estabelecer como Pavilhão das Culturas Brasileiras (2010 e 2011), gerido pelo Museu da Cidade; o Palácio da Agricultura, que, separado do parque pela avenida que o faceia, se localizou nos fundos do terreno do Instituto Biológico e seria a sede da Secretaria de Agricultura do Estado, o único edifício concebido já com destinação para acolher uma função administrativa e que acabou tornando-se sede de outro departamento estadual, o de Trânsito – Detran, entre 1959 e 2009. O Auditório, que constava no projeto do IV Centenário, foi construído 50 anos depois, com forma e localização diferentes, pelo mesmo arquiteto Oscar Niemeyer (Cury, 2018, p.60-63).
Sobre a transferência de presidência, em 1954, para o poeta Guilherme de Almeida, ela se deu devido ao desgaste entre os membros da Comissão e a Câmara Municipal de São Paulo. Na época havia um debate entre os vereadores sobre as necessidades da cidade que não foram atendidas para que houvesse a comemoração do aniversário da cidade, tais como, mortalidade infantil, ausência de saneamento e esgoto, carências de hospitais, além das questões financeiras da Comissão e da falta de representatividade na Comissão das instituições da sociedade civil (Hecker, 2017). Outro ponto de desgaste da presidência da Comissão foi o fracasso do cortejo carnavalesco incluído no pacote dos festejos de responsabilidade da Comissão presidida por Ciccillo.
A lei que criou a autarquia estabelecia que a comissão deveria cessar suas atividades 180 dias após o encerramento oficial, em 25 de janeiro de 1955, depois da prestação de contas e consequente aprovação pelo órgão competente. Porém, de fato, isto não ocorreu.
Em dezembro de 1955 a Comissão foi extinta por meio de pedido de exoneração de Guilherme de Almeida, então presidente, e demais membros, concedida pelo prefeito Lino de Matos.
Após a Comemoração do IV Centenário da Cidade e com a extinção da Comissão foram criadas outras instâncias para gestão do Parque do Ibirapuera. Ainda em 1955 foi criada pela Portaria nº 22, de 24 de dezembro de 1955 a Comissão do Parque do Ibirapuera. A constituição da Fundação Ibirapuera foi dada pela Lei nº 5.123, 20 de março de 1957. Por fim, a partir do Decreto nº 4226 de 26 de maio de 1959, foi criada a Comissão Especial do Parque do Ibirapuera até o ano de 1967, extinta em 1972.
História do arquivo
No Guia de fundos de 1984 o conjunto documental é citado como fundo, assim como nos Guia de fundos de 2000 e 2007. Já no Guia de fundos de 2017 os documentos foram agrupados ao fundo da Prefeitura Municipal de São Paulo - PMSP.
Entre os anos de 2003 e 2013 foi realizado o processamento técnico arquivístico e de conservação (higienização e armazenamento) do acervo para disponibilização à pesquisa. No entanto, à época, as informações foram coletadas de forma manual, em fichas de identificação em papel (Silva; Berlini, 2016).
O acervo textual foi organizado da seguinte forma:
a) os processos foram classificados segundo sua função, nos Grupos: Gabinete, Secretaria, Serviços de Comemorações Culturais, Serviço das Comemorações Culturais e Populares, Serviços de Congressos em Geral, Serviço de Engenharia, Serviços de Exposições Agropecuárias, Serviços de Exposições Industriais e Comerciais, Serviços de Relações Públicas, Imprensa e Propaganda e Tesouraria e Contabilidade.
b) os prontuários foram organizados em ordem alfabética pelo nome dos colaboradores da Comissão (Silva; Berlini, 2016).
O acervo cartográfico foi organizado por tipo de projeto e catalogado por meio de uma ficha individual recebendo uma notação específica (Silva; Berlini, 2016).
No Guia de fundos de 2023 o conjunto documental foi desmembrado do fundo da PMSP constituindo-se um fundo próprio.
Em 2024, para elaboração do presente instrumento de pesquisa, o Inventário do fundo da Comissão da Fundação do IV Centenário da Cidade de São Paulo todo o processamento técnico anterior foi revisto para a proposta de um quadro de arranjo e uma identificação que atendesse as demandas de pesquisa e acesso atuais. A identificação anterior realizada de forma manual, em fichas de papel, considerando o volume documental do acervo dificultava o acesso a documentação.
Para celeridade do tratamento arquivístico aproveitamos parte da identificação e organização do acervo realizado entre os anos de 2003 e 2013. Desta forma prosseguimos à identificação do acervo cartográfico e textual, em planilhas, de acordo com especificidades dos gêneros documentais, ampliando os campos descritivos e conferindo as informações coletadas com a documentação física.
Neste inventário o acervo é apresentado a partir da documentação cartográfica e textual, subdividida nos documentos avulsos e encadernados.
A documentação cartográfica, inserida dentro da divisão iconográfica, recebeu uma notação individual representada por uma sequência de números que remetem aos projetos executados. No momento a notação está sendo revista, pois não representa a lógica de organização dos fundos dada ao AHM. No entanto, a identificação de todo o acervo foi realizada em planilha específica e pode ser acessada para pesquisa.
A documentação textual recebeu uma notação por meio da seção, séries e tipologias identificadas, considerando as informações já registradas na documentação encadernada.
Os documentos avulsos compostos pelos processos foram classificados segundo sua função nos grupos e com a notação representada pelo número do processo e ano.
Os prontuários foram identificados por caixas e seguem a organização realizada anteriormente.
Fonte imediata de aquisição ou transferência
O acervo foi sendo incorporado ao acervo do Arquivo Histórico Municipal – AHM em partes, datas e origens diversas:
Os processos ingressaram por transferência, provenientes do Arquivo Geral da Prefeitura, atualmente denominado ARQUIP, em dezembro de 1979, contabilizando cerca de 7140 processos.
Os prontuários, que totalizam cerca de 3.000 documentos, foram encaminhados pela Seção Técnica de Administração de Pessoal, da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, em fevereiro de 1997.
Os documentos cartográficos, que são compostos principalmente por plantas, ingressaram por transferência ao AHM vindo do Departamento de Parques e Áreas Verdes - DEPAVE, motivados pela urgência da salvaguarda desses documentos que se encontravam em risco na reserva técnica daquele departamento.
Área do conteúdo e estrutura
Âmbito e conteúdo
O conjunto documental é composto por documentos textuais, cerca de 7.000 processos que englobam todas as atividades da Comissão do IV Centenário (1951 - 1967); cerca de 3.000 prontuários de funcionários e profissionais que prestarem serviços junto à Comissão (1952 - 1983), contendo o histórico de trabalho dentro da Comissão; 455 encadernados compostos por volumes de contabilidade e sessões da Comissão (1952 - 1963), além de poucos documentos avulsos (1951 - 1956).
A documentação cartográfica é composta por cerca de 2.200 plantas (1950 - 1967) o acervo é constituído por plantas de arquitetura, estrutura, elétrica e hidráulica sobre o Parque do Ibirapuera prevalecem algumas séries: Pavilhão da Agricultura, Pavilhão da Feira Internacional, Pavilhão das Exposições, Palácio das Artes, Pavilhão das Indústrias, Pavilhão das Nações, Pavilhão dos Estados, Ginásio, Marquise, Auditório, Edifício de Alojamentos, Projeto de ajardinamento e arruamento.
Avaliação, seleção e eliminação
Incorporações
Sistema de arranjo
Área de condições de acesso e uso
Condições de acesso
Alguns documentos podem apresentar restrições de acesso, motivadas principalmente pelo estado de conservação do documento.
Condiçoes de reprodução
A reprodução segue norma estabelecida por decreto pelo poder executivo municipal no ano em curso, para aplicação no ano subsequente, e busca orientar os organismos públicos, em sua esfera de competência, tabelando todos os valores dos serviços prestados pelas unidades da Prefeitura Municipal de São Paulo - PMSP.
No entanto, a reprodução do acervo fica condicionada ao estado de conservação e à fragilidade dos suportes dos documentos.
Idioma do material
- francês
- inglês
- italiano
- português
Sistema de escrita do material
Notas ao idioma e script
Características físicas e requisitos técnicos
O acervo cartográfico possui plantas em grande formato que podem dificultar a consulta.
Instrumentos de descrição
Área de fontes relacionadas
Existência e localização de originais
Existência e localização de cópias
Unidades de descrição relacionadas
. Coleções Temáticas - Parque Ibirapuera – Arquivo Histórico Municipal (AHM);
. Fundo Prefeitura Municipal de São Paulo – Arquivo Histórico Municipal (AHM);
. [Coleção] Centenário da Cidade de São Paulo, 4º (s.d.) - Arquivo Público do Estado de São Paulo – APESP (sem tratamento);
. Coleção IV Centenário da Cidade de São Paulo - Museu Paulista (MP/USP) (digitalizado).
. Fundo Francisco Matarazzo Sobrinho - Arquivo Histórico Wanda Svevo (Fundação Bienal).
. Índice de fontes: Ballet IV Centenário no acervo do Theatro Municipal de São Paulo – Theatro Municipal de São Paulo.
. Acervo bibliográfico e Hemeroteca - Casa Guilherme de Almeida.
Área das notas
Identificador(es) alternativo(s)
Categorias de acesso
Categorias de acesso - Assunto
Categorias de acesso - Geográfico
Categorias de acesso - Nome
Categorias de acesso de género
Área de controle da descrição
Identificador da descrição
Identificador da instituição
Regras ou convenções utilizadas
CONSELHO INTERNACIONAL DE ARQUIVOS. ISAD(G): Norma geral internacional de descrição arquivística. 2ª ed., Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2000.
Estatuto
Nível de detalhe
Datas de criação, revisão, eliminação
Línguas e escritas
Script(s)
Fontes
Nota do arquivista
ARQUIVO HISTÓRICO MUNICIPAL WASHINGTON LUÍS. Guia do arquivo histórico municipal Washington Luís. São Paulo: DPH, 1984.
ARQUIVO HISTÓRICO MUNICIPAL WASHINGTON LUÍS. Guia Arquivo Histórico Municipal Washington Luís. São Paulo: DPH, 2000.
ARQUIVO MUNICIPAL WASHINGTON LUÍS. Guia do acervo municipal Washington Luís. São Paulo: DPH, 2007.
ARQUIVO HISTÓRICO MUNICIPAL - AHM/SP. Guia de fundos, coleções e itens documentais. São Paulo: Arquivo Histórico Municipal de São Paulo, 2023. versão 1.0.
HECKER, Frederico Alexandre de Moraes. A Câmara de Vereadores e os festejos do IV Centenário de São Paulo: imagem e pabulagem. In: Histórias das Legislaturas Contemporâneas – 2ª Legislatura (1952-1955): o IV Centenário / coleção dirigida por Christy Ganzert Pato e Lara Mesquita; organizadora Rosana Schwartz. São Paulo: Câmara Municipal de São Paulo, 2017. Disponível em: https://www.saopaulo.sp.leg.br/memoria/wpcontent/uploads/sites/20/2017/11/leg2_final_02-1.pdf.
LOFEGO, Silvio Luiz. 1954-A cidade aniversariante e a memória coletiva: o IV centenário da cidade de São Paulo. Projeto História: Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados de História, v. 20, 2000.
MARINS, Paulo César Garcez. O Parque do Ibirapuera e a construção da identidade paulista. In: Anais do Museu Paulista, história e cultura material. 1998-1999. São Paulo, v. 6-7, p. 9-36. Disponível em:
SILVA, Fernanda Correira; BERLINI, Cintia Stela Negrão. O acervo do IV Centenário da Cidade de São Paulo: da organização à exposição dos 60 anos do Parque do Ibirapuera. In: VIII Seminário Nacional do Centro de Memória - Unicamp. Memória e acervos documentais. O arquivo como espaço produtor de conhecimento. De 26 a 28 de julho de 2016 - Unicamp, Campinas - SP.